Créditos da imagem: Reveio
Seu celular anda esquentando sem motivo, ou a bateria some rápido demais? Pode ser só um app pesado rodando em segundo plano. Mas também pode ser algo mais grave.
O Spyware Pegasus é, até hoje, o spyware mais sofisticado já criado para celulares. E o detalhe mais assustador é esse: ele consegue infectar um aparelho sem que a pessoa clique em nada.
Neste texto eu vou explicar, de forma direta, o que é o Pegasus, como saber se ele pode estar no seu celular e o que fazer para tentar removê-lo.
O que é o Spyware Pegasus?
O Pegasus foi desenvolvido pela NSO Group, uma empresa israelense. Na teoria, ele nasceu para ajudar governos a rastrear criminosos e terroristas.
Na prática, virou uma ferramenta de vigilância usada contra:
- Jornalistas
- Ativistas de direitos humanos
- Políticos e opositores
- E, em alguns casos, pessoas comuns que estavam perto demais desses alvos
Depois que entra no aparelho, o Pegasus praticamente assume o controle do celular à distância.
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Como o Pegasus funciona, na prática

O que torna o Pegasus tão perigoso é ser um spyware do tipo “zero-click”.
Isso quer dizer que ele não precisa que você clique em um link nem baixe nada suspeito. Basta existir uma brecha de segurança ainda não corrigida no sistema, e a infecção acontece sozinha.
Uma vez instalado, ele consegue:
- Ler conversas do WhatsApp, e-mail e SMS, mesmo com criptografia
- Ligar câmera e microfone remotamente
- Rastrear a localização em tempo real
- Copiar fotos, contatos e senhas salvas
- Acompanhar chamadas e histórico de navegação
Em 2025, a Justiça dos Estados Unidos impôs restrições à NSO Group depois de uma ação movida pelo próprio WhatsApp, que acusou a empresa de explorar falhas do app para instalar o Pegasus sem qualquer interação do usuário.
Pegasus ataca iPhone e Android?
Sim, os dois. Mas o comportamento muda bastante de um sistema para o outro.
No iPhone (iOS)
- O sistema fechado da Apple dificulta bastante a ação de antivírus comuns
- Detectar o Pegasus geralmente exige ferramentas forenses mais avançadas
- O Modo de Bloqueio (Lockdown Mode) ajuda a fechar brechas usadas pelo spyware
No Android
- O sistema mais aberto facilita a instalação, mas também deixa mais fácil checar apps manualmente
- O Modo Seguro ajuda a identificar aplicativos estranhos
- Menos dados de diagnóstico ficam registrados, o que torna a detecção mais difícil do que no iPhone
Sinais de que o celular pode estar infectado

Não existe um sintoma que confirme 100% a presença do Pegasus. Mas vale prestar atenção nestes pontos:
- Bateria acabando bem mais rápido que o normal
- Aparelho esquentando mesmo sem uso pesado
- Consumo de dados móveis fora do comum
- Celular lento ou travando sem explicação
- Aplicativos que você não lembra de ter instalado
Vale lembrar: esses sinais também aparecem em problemas simples de bateria ou memória cheia. Sozinhos, eles não confirmam nada.
Como verificar se você tem o Pegasus
Para a maioria das pessoas, detectar o Pegasus é difícil. Ele foi feito justamente para passar despercebido. Ainda assim, existem alguns caminhos:
- MVT (Mobile Verification Toolkit): ferramenta gratuita da Anistia Internacional, mas mais indicada para quem já tem um pouco de conhecimento técnico
- iVerify (iOS) e Malwarebytes (Android): identificam comportamentos suspeitos no aparelho, mesmo sem garantir a detecção exata do Pegasus
- Apoio de um perito forense ou MSSP: recomendado principalmente para jornalistas, ativistas e outros alvos de risco mais alto
Empresas de segurança, aliás, costumam usar sistemas de SIEM (Security Information and Event Management) para cruzar registros de rede e identificar padrões parecidos com os do Pegasus antes que o estrago se espalhe pela organização.
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Melhores anti-spyware para reforçar a proteção
Nenhum antivírus comum garante barrar o Pegasus, já que ele explora falhas ainda desconhecidas (as chamadas zero-day). Mesmo assim, algumas ferramentas ajudam a reduzir o risco geral:
- Apps com escaneamento em tempo real de downloads e aplicativos
- Uma VPN para proteger dados quando você usa redes Wi-Fi públicas
- Ferramentas de segurança que avisam sobre uso indevido de câmera e microfone
Como tentar remover o Pegasus do iPhone
- Ative o Modo de Bloqueio: vá em Ajustes, depois Privacidade e Segurança, e ative o Modo de Bloqueio
- Coloque o aparelho em modo avião por um tempo, para cortar a comunicação do spyware
- Atualize o iOS para a versão mais recente
- Em casos mais graves, faça a restauração pelo computador (modo DFU). Só o reset de fábrica pode não apagar todos os vestígios
- Evite restaurar o backup antigo. O ideal é reinstalar os apps um por um, manualmente
- Troque todas as senhas em outro aparelho, incluindo e-mail (Gmail, Microsoft ou Outlook) e redes sociais
Como tentar remover o Pegasus do Android
- Reinicie o aparelho em Modo Seguro, o que trava temporariamente apps de terceiros
- Desinstale qualquer aplicativo que você não reconheça
- Atualize o sistema com os patches de segurança mais recentes
- Faça backup só dos dados pessoais, sem os aplicativos
- Restaure o aparelho para as configurações de fábrica
- Troque as senhas de contas importantes, sempre a partir de outro dispositivo
Em infecções mais persistentes, especialistas costumam recomendar até trocar de aparelho. O Pegasus, em alguns casos, sobrevive a um reset completo.
Como se proteger do Pegasus no dia a dia

- Mantenha o sistema sempre atualizado, tanto no iOS quanto no Android
- Desconfie de links e mensagens com tom de urgência, mesmo vindo de contatos conhecidos
- Use WhatsApp ou Signal com a criptografia ponta a ponta ativada
- Ative a verificação em duas etapas no e-mail e nas redes sociais
- De vez em quando, reinicie o celular. Isso ajuda a interromper processos escondidos na memória
Vale a pena se preocupar?
Para a grande maioria das pessoas, o risco real é baixo. Cada licença do Pegasus custa uma fortuna e é vendida só para governos.
O alerta é maior para jornalistas, ativistas, advogados e outras figuras públicas. Ainda assim, seguir essas práticas protege não só do Pegasus, mas de spywares bem mais comuns que circulam por aí.