IA do Google erra ao soletrar “Google” e expõe limite da tecnologia

IA do Google erra ao soletrar

Crédito da imagem: Google

Cuidado, concorrentes! A IA do Google está tropeçando no básico.

A Visão Geral de IA, nova função de busca impulsionada por inteligência artificial, está cometendo erros simples de ortografia. O sistema afirma que “Google” tem dois “P”s e escreve “journalism” como “journadism”. Isso importa porque revela uma limitação estrutural da tecnologia que deveria revolucionar as buscas.

O que está acontecendo

O Google reconheceu o problema em comunicado ao TechCrunch: “Contar letras dentro de palavras tem sido um desafio conhecido para os LLMs, e estamos trabalhando para resolver esse problema específico”.

A questão é que os Large Language Models não foram projetados para entender ortografia como humanos. Por isso, a IA também grafou o sobrenome do presidente dos EUA como “trpum”, mesmo identificando a presença de um “P”.

Não há data prevista para correção, e o recurso segue disponível de forma integrada à Busca principal — sem custo adicional, mas com acesso gradual por região.

Por que a IA não “lê” como nós

IA do Google erra ao soletrar

Esses deslizes não são novidade. Sempre que uma empresa lança um novo modelo de IA, o teste clássico é perguntar quantos “r”s há em “morango”. A resposta? Quase sempre errada.

A arquitetura Transformer, base dos LLMs, decompõe o texto em tokens — pedaços que podem ser palavras, sílabas ou letras — e os converte em representações numéricas. A IA não “lê”; ela processa padrões estatísticos.

“Quando vê a palavra ‘o/a’, ela tem essa codificação do que ‘o/a’ significa, mas não sabe o que significam ‘O/A’ ou ‘E'”, explicou Matthew Guzdial, pesquisador da Universidade de Alberta, ao TechCrunch.

Sheridan Feucht, doutoranda na Northeastern University, complementa: “Meu palpite é que não existe um tokenizador perfeito devido a esse tipo de imprecisão”.

O histórico de tropeços da IA do Google

Esta não é a primeira vez que a aposta do Google em IA gera polêmica. Na estreia dos Resumos de IA na Busca, o recurso citou posts satíricos do The Onion e do Reddit, sugerindo que as pessoas comessem pedras ou passassem cola na pizza.

Desta vez, com a IA generativa no centro do produto principal da empresa — lançado há 29 anos —, os erros de soletração funcionam como um lembrete: a tecnologia é poderosa, mas não infalível.

A boa notícia? Essas falhas não comprometem a utilidade prática dos LLMs em tarefas complexas, como programação ou resolução de problemas matemáticos. A lição, porém, é clara: verifique sempre a precisão antes de confiar cegamente.

O que mais mudou no ecossistema

Além dos erros de ortografia, o Google já corrigiu um bug em que a busca por “disregard” exibia uma definição falsa: “Entendido. Avise-me sempre que tiver uma nova sugestão ou pergunta!”.

Outras atualizações na Visão Geral de IA incluem respostas mais contextualizadas para consultas locais e integração com ferramentas do Workspace — sinais de que o ecossistema continua evoluindo, mesmo com ajustes em andamento.

Com informações de TechCrunch.

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