Créditos da imagem: Unsplash/BolíviaInteligente
A Noruega está a liderar um movimento global para devolver a educação tradicional às salas de aula. O governo norueguês anunciou uma proibição rigorosa do uso de ferramentas de inteligência artificial generativa para alunos do ensino básico.
O primeiro-ministro, Jonas Gahr Stoere, defendeu a medida explicando que a IA está a fazer com que as crianças saltem etapas cruciais no desenvolvimento cognitivo. Segundo o governante, o foco absoluto das escolas nesta fase deve voltar a ser o essencial: ensinar a “ler, escrever e fazer matemática”.
As novas diretrizes entram em vigor já no início do próximo ano letivo, no final de agosto. Confira abaixo como vão funcionar as restrições por faixa etária e o impacto desta decisão.
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Como vão funcionar as restrições por idade?
O plano do governo norueguês não aplica um bloqueio total para todos os estudantes, mas divide o acesso à tecnologia de forma progressiva, de acordo com a maturidade dos alunos:
- Dos 6 aos 13 anos (1.ª à 7.ª série): Proibição absoluta. Nenhuma ferramenta de IA generativa pode ser utilizada nas atividades escolares.
- Dos 14 aos 16 anos: Uso condicionado. Os adolescentes podem interagir com a inteligência artificial, mas apenas sob a supervisão direta de um professor.
- A partir dos 17 anos: Uso livre. Os estudantes são incentivados a aprender a utilizar a tecnologia de forma adequada e responsável por conta própria.
O sucesso anterior com o bloqueio de telemóveis
Esta não é a primeira vez que a Noruega adota medidas drásticas para afastar os excessos tecnológicos das salas de aula. Em 2024, o país implementou uma proibição total de smartphones e tablets nas escolas [00:20].
Os resultados práticos dessa política superaram as expectativas das autoridades de saúde e educação [00:00]:
- Aumento de notas: Os alunos registaram uma melhoria significativa na média geral de aproveitamento escolar [00:54].
- Queda no bullying: Casos de assédio e agressões verbais entre estudantes caíram drasticamente (46% entre as raparigas e 43% entre os rapazes) [00:54].
- Saúde mental protegida: A necessidade de consultas com psicólogos para tratar problemas de ansiedade e saúde mental caiu perto de 60%, apresentando um impacto muito positivo especialmente no público feminino [00:39].
Além disso, o governo já prepara um projeto de lei, que será apresentado ao parlamento até ao final do ano, para proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais, seguindo o modelo pioneiro da Austrália.
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Estados Unidos discutem leis semelhantes, mas com impasses
Do outro lado do Atlântico, os Estados Unidos também tentam encontrar formas de limitar o tempo que os jovens passam a conversar com robôs de IA, mas o processo político avança a passos lentos.
O Senado norte-americano discute a chamada Lei GUARD (Lei de Diretrizes para Verificação da Idade do Usuário e Diálogo Responsável). O projeto inicial pretendia exigir a verificação de idade e bloquear o acesso de menores a quase todos os robôs de conversação.
No entanto, o texto do projeto de lei foi suavizado recentemente. Atualmente, as restrições aplicam-se apenas a “companheiros de IA” (softwares focados em simular relacionamentos românticos ou amizades virtuais).
Críticos alertam que esta nova linguagem abre uma brecha perigosa, deixando ferramentas imensamente populares, como o ChatGPT, o Gemini e o Copilot, completamente fora das obrigações de bloqueio.
Fonte: Engadget