Créditos da imagem: CFOTO / Getty Images
A empresa de consultoria KPMG se envolveu em uma situação bastante embaraçosa. Eles precisaram remover de circulação um relatório importante que falava justamente sobre o uso de inteligência artificial no mercado de trabalho.
O motivo da retirada foi o alerta de várias organizações de que as informações publicadas eram simplesmente mentiras. O caso tomou proporções maiores porque analistas apontam que a própria KPMG usou uma IA para redigir o documento e não checou o resultado, gerando as famosas “alucinações”.
Entenda como o caso repercutiu e o impacto para a reputação da empresa.
Publicidade
O que deu errado no relatório da KPMG?
O estudo foi publicado no fim do ano passado. Pouco tempo depois, o grupo de pesquisa GPTZero começou a puxar o fio da meada e encontrou uma série de dados inventados no meio do texto.
- Fatos inventados: O relatório citava como grandes instituições globais usavam IA em seus processos, mas os dados eram falsos.
- Falta de revisão: A suspeita é que a consultoria confiou cegamente em um gerador de texto automático, sem colocar um especialista humano para validar as fontes.
- Ironicamente sobre IA: O relatório tinha o objetivo de debater a excelência da tecnologia, mas acabou virando o exemplo perfeito de seus riscos.
Grandes marcas desmentiram a publicação
A situação complicou de vez quando os supostos clientes citados no documento vieram a público para negar o que estava escrito. Instituições de peso relataram que as afirmações eram enganosas ou totalmente falsas.
Entre os nomes que desmentiram o relatório estão o banco UBS, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), além das empresas públicas de transporte de Londres e da Suíça. Com a pressão aumentando, a KPMG não teve escolha a não ser tirar o arquivo do ar e abrir uma investigação interna para entender o que aconteceu.
Publicidade
Um problema recorrente no setor de consultoria
O erro da KPMG não é um caso isolado e acende um alerta vermelho sobre a pressa das grandes corporações em adotar ferramentas de automação. Recentemente, a EY (Ernst & Young), que é concorrente direta da KPMG, passou exatamente pelo mesmo problema.
A EY teve que recolher um estudo sobre programas de fidelidade após leitores descobrirem que as notas de rodapé e as referências do texto haviam sido inventadas por uma inteligência artificial. Isso mostra que o mercado de relatórios corporativos está sofrendo com a falta de checagem básica.
Em nota, a KPMG reforçou que orienta seus funcionários a seguirem regras rígidas de uso responsável de tecnologia, o que inclui a validação humana obrigatória de qualquer conteúdo. Pelo visto, a regra ficou só no papel.
Com informações de techcrunch