Créditos da imagem: Cath Virginia / The Verge, Getty Images
O CEO da Phison, Pua Khein-Seng, um dos principais fabricantes de chips controladores para SSDs, fez um alerta preocupante sobre o futuro da indústria de tecnologia. Em entrevista à emissora taiwanesa Next TV, ele afirmou que a escassez de RAM pode forçar empresas a reduzir linhas de produtos no segundo semestre de 2026, e algumas podem até encerrar atividades se não conseguirem os componentes necessários.
Embora a entrevista tenha sido em chinês, fontes confirmaram a gravidade das declarações. Khein-Seng concordou com a avaliação do entrevistador de que empresas podem fechar ou produtos podem ser descontinuados, esclarecendo que isso acontecerá se não conseguirem garantir RAM suficiente.
A Devastação da IA na Oferta Global de Memória
O culpado por trás dessa crise é bem conhecido: a explosão da inteligência artificial. Data centers que treinam e executam modelos de IA estão consumindo a grande maioria da oferta mundial de memória, criando um desequilíbrio sem precedentes entre oferta e demanda.
Este não é um aumento sazonal ou um pico temporário. É uma reconfiguração fundamental do mercado, onde a computação de IA se tornou o maior consumidor de um recurso finito e com capacidade de produção limitada.
Os efeitos já são visíveis: os preços da RAM triplicaram, quadruplicaram e em alguns casos até sextuplicaram nos últimos meses. Para empresas que dependem de memória para fabricar produtos, isso não é apenas um aumento de custo – é uma ameaça existencial.
Preços Disparam e Margens Desaparecem
Quando o custo de um componente essencial sobe 500% em poucos meses, o modelo de negócios de muitas empresas simplesmente deixa de fazer sentido. Produtos com margens apertadas se tornam deficitários. Linhas inteiras podem ser canceladas porque o preço final ao consumidor se tornaria impraticável.
O CEO da Phison também fez uma previsão curiosa para os próximos dois anos: ele espera que as pessoas comecem a consertar produtos com mais frequência quando eles quebram, em vez de simplesmente substituí-los. Esta é uma mudança de comportamento que a escassez forçará, mas que também reflete uma consciência ambiental emergente.
Nvidia, Apple e a Indústria Sob Pressão
Nenhuma empresa está imune a esta crise. Até a Nvidia, gigante dos chips de IA, pode enfrentar dificuldades. Fontes indicam que a empresa pode deixar de enviar uma GPU para jogos pela primeira vez em 30 anos – um símbolo poderoso de como a escassez está distorcendo prioridades.
A Apple, conhecida por seu controle rígido da cadeia de suprimentos, também pode ter dificuldades para garantir RAM suficiente para seus produtos. E se a Apple está preocupada, imagine o impacto em fabricantes menores, sem o poder de barganha da gigante de Cupertino.
A escassez não afeta apenas a RAM para computadores. Ela impacta:
- SSDs (que usam memória flash)
- Smartphones (cada vez mais com múltiplos gigabytes de RAM)
- Consoles de videogame (que competem diretamente com data centers por memória de alta performance)
- Carros (sistemas de infoentretenimento e assistência ao motorista)
- Eletrodomésticos inteligentes (até geladeiras agora precisam de memória)
O Oligopólio da DRAM e a Escolha pelo Lucro
Um dos fatores que tornam esta crise tão aguda é a estrutura do mercado de DRAM. Apenas três empresas controlam 93% de toda a produção global:
- Samsung
- SK Hynix
- Micron
Este oligopólio significa que a capacidade de resposta à alta demanda é limitada por natureza. E mais preocupante: essas empresas estão construindo novas fábricas, mas em ritmo controlado.
Do meu ponto de vista, a decisão dessas três gigantes de priorizar lucros em vez de arriscar superprodução é compreensível do ponto de vista empresarial, mas catastrófica para o resto da indústria. Ninguém quer repetir os ciclos de boom e bust que levaram a prejuízos bilionários no passado.
No entanto, a consequência é que a escassez de RAM se prolongará por anos, não meses. As novas fábricas levarão tempo para entrar em operação, e enquanto isso, a demanda por IA só cresce.
O “RAMageddon” e Seus Efeitos no Consumidor
O jornalista prometeu para amanhã, 19 de fevereiro, um relatório detalhado sobre como o “RAMageddon” afetará o consumidor comum. Mas já podemos antecipar alguns impactos:
- Aumento de preços em todos os dispositivos eletrônicos
- Menor variedade de produtos (linhas descontinuadas)
- Ciclos de substituição mais longos (consertar em vez de trocar)
- Especulação e escassez de componentes avulsos
- Mercado de usados aquecido
Para o consumidor final, a era de dispositivos cada vez mais baratos e poderosos pode estar chegando ao fim, pelo menos temporariamente. A computação se tornará um bem mais precioso e, consequentemente, mais caro.
O Que as Empresas Podem Fazer?
Diante deste cenário, as empresas de tecnologia têm algumas opções:
- Redesenhar produtos para usar menos memória ou tipos mais disponíveis
- Firmar contratos de longo prazo com fabricantes, garantindo suprimento
- Diversificar fornecedores, incluindo tecnologias alternativas
- Aumentar preços e repassar custos ao consumidor
- Cancelar produtos de baixa margem e focar no que é viável
Nenhuma dessas opções é boa. Todas envolvem trade-offs dolorosos. Para startups e empresas menores, a situação é particularmente grave – elas simplesmente não têm poder de compra para competir com os data centers de IA.
Veredito: Uma Crise Estrutural e Duradoura
A escassez de RAM não é um problema temporário que será resolvido em alguns trimestres. É uma crise estrutural causada pelo choque entre o crescimento exponencial da demanda por IA e a oferta limitada e oligopolizada de memória.
O alerta do CEO da Phison deve ser levado a sério. Quando um insider do setor diz que empresas podem morrer, não é hipérbole – é uma previsão baseada em dados concretos sobre capacidade de produção e alocação de recursos.
Para quem trabalha com tecnologia, seja como profissional ou entusiasta, os próximos anos serão de adaptação constante. A era da abundância deu lugar à era da escassez seletiva.
Quer entender como o “RAMageddon” vai afetar seu bolso e seus gadgets favoritos? Acompanhe o relatório completo que será publicado amanhã no The Verge e fique por dentro de todos os detalhes desta crise histórica.


