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A OnlyFans negocia uma de suas maiores transações desde sua fundação. A plataforma está em tratativas avançadas para vender uma participação majoritária de 60% do seu negócio para a empresa de investimentos Architect Capital, em um acordo que valoriza a empresa em US$ 5,5 bilhões.
Segundo fontes próximas ao negócio, a transação seria composta por US$ 3,5 bilhões em capital próprio e US$ 2 bilhões em dívida. As partes estão em período de exclusividade, impedindo que a OnlyFans busque outros compradores por tempo determinado.
Detalhes Financeiros e a Estrutura do Acordo
A valorização de US$ 5,5 bilhões é um marco para uma plataforma que surgiu em 2016 como um nicho para criadores de conteúdo. O acordo proposto daria à Architect Capital o controle operacional e decisório, com 60% das ações.
A estrutura com alavancagem (dívida) é comum em aquisições por private equity. Ela permite que o fundo de investimento faça uma aquisição grande com menos capital próprio, usando os fluxos de caixa futuros da própria OnlyFans para pagar parte do negócio.
O Histórico de Tentativas de Venda da OnlyFans
Esta não é a primeira tentativa. Em 2025, relatos indicavam que Leonid Radvinsky, o bilionário atual proprietário, buscava “sacar” e procurava compradores. Negociações anteriores com um consórcio liderado pela Forest Road Company não evoluíram.
O fato de a OnlyFans negocia recorrentemente sua venda sugere um desejo do dono atual de realizar o lucro do investimento e, possivelmente, uma estratégia de profissionalizar a gestão para escalar ainda mais o negócio ou prepará-lo para um IPO futuro.
Quem é a Architect Capital?
Fundada em 2021, a Architect Capital começou como uma credora baseada em ativos, fornecendo empréstimos garantidos por ativos de startups. A entrada como compradora majoritária da OnlyFans marca uma guinada agressiva em sua estratégia, de credora para controladora de um gigante de conteúdo.
O movimento indica que o fundo vê na OnlyFans não apenas um negócio estável, mas um ativo com potencial de expansão e monetização além do modelo atual. Eles provavelmente trarão uma gestão mais focada em eficiência e expansão para novos mercados ou verticalidades.
Do meu ponto de vista, esta transação é um ponto de inflexão para a economia dos criadores. A venda de uma plataforma tão icônica e dominante em seu segmento para um fundo de private equity sinaliza a maturidade e financeirização deste setor.
A OnlyFans negocia sua independência em troca de capital e expertise para seu próximo capítulo. Para os criadores, isso gera uma dualidade: por um lado, a plataforma pode se tornar mais estável e profissional; por outro, pode se tornar mais impessoal e focada em métricas de lucro acima de tudo.
Os Desafios e Controvérsias da Plataforma
A OnlyFans sempre caminhou sobre uma linha tênue. Apesar de se declarar não como um site pornográfico, a maioria esmagadora de sua receita vem de conteúdo adulto. A plataforma enfrentou ações judiciais acusando-a de lucrar com vídeos abusivos e teve conflitos com processadores de pagamento.
Um controlador institucional como a Architect pode buscar “limpar” a imagem do negócio para uma eventual oferta pública (IPO), o que poderia levar a políticas de conteúdo mais restritivas. Essa é uma das maiores incógnitas e fontes de ansiedade para a base de criadores.
Impactos para os Criadores e o Futuro da Plataforma
A grande pergunta é: o que muda para quem produz o conteúdo? Fundos de private equity são conhecidos por buscarem eficiência e crescimento de receita. Isso pode se traduzir em:
- Taxas de plataforma: Pressão para aumentar o percentual cobrado dos criadores.
- Novos serviços pagos: Ferramentas de promoção, analytics avançados ou verificações em troca de assinaturas.
- Expansão para novos formatos: Investimento em áudio, realidade virtual ou outras mídias para ampliar o mercado.
- Crackdown em contornos: Políticas mais rígidas para evitar chargebacks e fraudes, possivelmente afetando a liberdade criativa.
O futuro pode ver a OnlyFans tentando se diversificar para além do conteúdo adulto, atraindo mais criadores de fitness, culinária, educação e outras áreas, seguindo o caminho de plataformas como Patreon, mas com uma audiência já condicionada a pagar por conteúdo exclusivo.
A transação, se concluída, será um estudo de caso sobre como o capital de risco enxerga o longo prazo da economia de criadores. É um voto de confiança bilionário de que o modelo de assinaturas diretas tem espaço para crescer muito além do seu estado atual.
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